| Columbia
- Marcas registrada, Uso de marcas e Patentes: Especializada no registro de Marcas e Patentes a Columbia Marcas é uma empresa renomada no quesito registro e consultoria de marcas,patentes, software, direito autoral. |
saiba
mais.
Home
(55-11)4508-1724 |
Joel Ribeiro do Prado
FUTEBOL BRASILEIRO - A ORIGEM DA SUA MAGIA
ENTRE AS ARMAS DO BRASIL, A CHUTEIRA
Fonte inesgotável
de craques que vão enfeitiçar os aficionados do jogo da bola
em todo o planeta, o futebol
brasileiro quase que agoniza enquanto opção de lazer nos limites
domésticos. Estádios deteriorados, rendas
medíocres, submissão ao capital aplicado oportunistamente pelos
que o vêem como mera peça promocional;
estas são as condições que estabelecem o paradoxo.
Somos pentacampeões
e poderemos ser hexa logo mais, porque a paixão dos brasileiros segue
podendo se
alimentar noutra fonte, prestes a se exaurir: a fonte das conquistas que a
arte, mesmo maltratada por um
desacerto administrativo, conseguiu alcançar nos embates internacionais,
onde a emoção esteve sempre
presente, trazendo um conteúdo cívico que outros eventos ou
símbolos não conseguem estimular.
Para quem saiba olhar o soccer brasileiro não apenas pelo viés
do misticismo, mas por ele, que é o que lhe
fomenta a paixão, e também pelo ângulo do negócio
lucrativo que lhe é inerente, a fórmula da redenção
deve
conjugar estes dois aspectos. Como?
ANDRAJOSA MAJESTADE
Nascido entre os de cintura
dura e tendo a fleuma dos ingleses a embalar as transmissões radiofônicas
das
partidas, o futebol britânico, como outros, não incorporou a
magia que o nosso adquiriu dos fantasiosos
narradores que, antes do advento da televisão, esculpiam, sobre cada
lance, formas e efeitos que, depois, os
garotos que ouviam iam tentar reproduzir nos campos da várzea e já
com a bola nos pés. Foi assim, meio
que cinzelada pela retórica latino-brasileira, que a pelada verde-amarela,
adornada pelos bordados e lantejoulas
dos speakers, saiu da ingenuidade da infância promissora, chegou à
adolescência impregnada de malícia e
ufanismo e alcançou uma maturidade contraditória, de dupla personalidade,
que a faz entrar em campo como
uma majestade e a coloca de quatro fora dele.
CRÉDITOS AO RÁDIO
Teria sido mera coincidência? Canhoteiro, Luizinho, Garrincha e Pelé,
entre outros tantos de virtuosismo
inquestionável, foram contemporâneos de um rádio que,
sem o contraponto da imagem, que só em alguns
momentos atinge o nível estético das maravilhas, cunhava na
consciência da meninada um espetáculo
fantástico, onde a bola, tocada de modo inimitável por alguém
que só poderia ser brasileiro, assumia, de
repente e em plena trajetória, o desenvolvimento dinâmico e traiçoeiro
de uma folha seca...(grande Didi!).
OS COVEIROS DA MAGIA
Com o advento da televisão, o futebol no Brasil colocou-se mais próximo
do grande público, mas não veio
pelas telinhas, senão de quando em vez, com o brilho das miçangas
antes lavradas só pelo som. O rádio
teve de dividir com a televisão, pouco a pouco, a atenção
da torcida. Os grandes espetáculos - nem tanto os
de exceção, como um FLA-FLU - vieram, à medida em que
a TV os trazia para dentro das casas, despregando-se
da sua moldura humana. Moldura humana, lá nos estádios, de feições
esculpidas pela paixão e pelo fanatismo, a
soltar os seus gritos de guerra entremeados por interjeições:
Ui! Ah! Oh!; palavrões: Filho da p...! P.q.p! - além de
outras saudações carinhosas: Ladrão! Bicha! Gaveteiro!
Mão de gato! Essa moldura humana, ainda que exista e
até em maior
espessura diante das telinhas das televisões, não adensa, mas,
ao contrário, faz até com que se rarefaça o
clima de arrebatamento, o frenesi do futebol, gerando uma negativa reação
em cadeia: clima frio, performance
medíocre, sonolência do telespectador, perda de interesse, baixa
na capacidade de captar adeptos e os manter.
Como mais uma pá
de terra, as atuais transmissões de futebol, salvo raras exceções,
pecam pelo exagero de mau
gosto. Os narradores do rádio de hoje, salvo alguns poucos, trocaram
a criatividade pela histeria, passando a idéia
de que falam rebolando e de salto alto, com aquele rabicho de afetação
fonética de sempre, produzido pelo
endurecimento do queixo e a compressão do palato pela ponta da língua,
resultando no prolongamento e passagem
do final do som pelo nariz.Os grandes speakers do passado eram brilhantes
na fantasia e inflamavam os ouvintes
com as imagens que criavam, sempre colocando a voz de modo emocionante, mas
natural. O berreiro de hoje
afunda ainda mais o espetáculo e, para afundar, mesmo, algumas emissoras,
tanto de rádio como de televisão,
esmeram-se, colocando microfones abertos próximos dos jogadores e dos
técnicos, durante os jogos, conseguindo
apenas emoldurar a mediocridade com palavrões, o que torna a sintonia
uma exposição à chulice que devora primeiro
os falsos ídolos; depois, a nossa paciência, culminando por tornar
a coisa imprópria para os ambientes civilizados
e despojada do fascínio de ontem.
A PROFANAÇÃO DA CAMISA
O nosso futebol estará
bem quando, sem cometer os tantos sacrilégios que comete, entre os
quais o de fazer da sua
camisa um painel publicitário, puder ser tão pujante na captação
de recursos financeiros, que garanta a preservação
dos seus expoentes e, em decorrência direta disto, amplie o seu poder
de arrebatar um maciço público presente nos
estádios, mesmo havendo, mas já aí impactado pelo comportamento
trepidante do que lhe seja mostrado desde as
arquibancadas pela televisão, aquele outro público mais distante,
mas não mais sonolento e volúvel, que fica numa
engessada torcida doméstica e anônima . Teremos nesse momento
o futebol-empreendimento nivelado por cima com
o futebol-arte, pente ou já quem sabe hexaacampeão mundial.
ESTRELAS CADENTES
O futebol torna-se uma emoção sem causa, um espetáculo
espectral encenado sobre um pasto, quando os atores,
tornados painéis humanizados de uma publicidade estranha e subordinadora,
conseguem só de vez em quando fazer
algo que valha para alguns deles um passaporte para o estrelato, mas quase
nunca para que cheguem ao nível das
estrelas de primeira grandeza, cuja luz ainda se derrama sobre os que as viram
nascer, de tão intensa que era, já ao
se apagar, décadas atrás. Pelé, Garrincha e outros tantos
brilharão por muitos e muitos anos além na memória dos
que os viram atuar. Já os craques desta fase mais mercantil, quando
chegam, por exemplo, a formar na constelação
do selecionado brasileiro, aí mesmo começam a parecer estrelas
cadentes, que perdemos de vista e de fato, arrastadas
que vão para outro firmamento e outros palcos, sobretudo os da Europa
e da Ásia, que os levam de nós pelo poderio
econômico que o nosso país e, no caso do futebol, os nossos clubes
nunca tiveram ao mesmo nível do futebol-arte,
talvez até porque à nossa economia, que é órfã,,
tenha faltado uma indução tão criativa como a que os
speakers
aplicaram ao toque de bola dos nossos jogadores.
Cabem ao rádio
e àqueles que emprestaram suas vozes e a sua emoção às
transmissões do futebol os maiores
créditos pela posição exponencial alcançada pelo
Brasil dentro deste esporte em todo o mundo.